terça-feira, março 03, 2009

Janeiro, 25

lá dentro jogam à facada
matam-se acho à facada dentro da minha cabeça quero dizer
lá dentro jogam apenas às cartas há um tédio que não quero matar antes de chegar à última cartada por um punhado de cartas mato o silêncio à machadada nem o meu nome dito agora mataria o silêncio mata só esta coisa mais uma memória de manhã rumorosa numa estação de comboio foi há tanto tempo atrás o meu último corpo vivo numa madrugada não o meu último corpo vivo nem foi assim há tanto tempo devo ter tido os olhos abertos
no teu corpo não evidentemente à minha espera na ma druga da na madrugada era
penso que era
mais fácil respirar disciplinar o vício absurdo do silêncio
há em mim um sono de bronze uma vocação para um sono de bronze desabitado de palavras e gente que nunca fechou os olhos, ainda.

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