Pensando que a noite azul se ponha
Não sonho nada em meu detrimento
A coroa que tenho na cabeça
só com resignação é que a suporto
Sou um rei numa retrete desterrado
Não tenho calças e vivo escondido
morto de fome sob a minha cama
Alimento-me de muitos musaranhos
A cada escorada de meus versos
é todo o meu domínio pessoal
E urina-se minha alma por meus olhos
Se medito adormeço num recanto
e o sonho que podia ser-me útil
mete-se numa perna e em qual não sei
Minha candura minha paciência meu descuido
Busco trabalho e perco a saúde
a rezar enquanto vou subindo a escada
- Carlos Edmundo Ory
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