quinta-feira, março 12, 2009

Autoelegia

Minha forma meu carácter meu desejo
Pensando que a noite azul se ponha
Não sonho nada em meu detrimento

A coroa que tenho na cabeça
só com resignação é que a suporto
Sou um rei numa retrete desterrado

Não tenho calças e vivo escondido
morto de fome sob a minha cama
Alimento-me de muitos musaranhos

A cada escorada de meus versos
é todo o meu domínio pessoal
E urina-se minha alma por meus olhos

Se medito adormeço num recanto
e o sonho que podia ser-me útil
mete-se numa perna e em qual não sei

Minha candura minha paciência meu descuido
Busco trabalho e perco a saúde
a rezar enquanto vou subindo a escada

- Carlos Edmundo Ory

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