para as mulheres que vendem o corpo na rua de Artilharia Um
com os cérebros eunucos
que ejacularam de mais
o nada que tinham para dizer.
É ouvi-los a dissertar tão «machos»,
às voltas com um sufixo grego
(elevado vírus) que conhecem
tão bem como o rosto vazio
com bigode à frente que penduram
sobre um volante alarve.
Mas deixemos estar a Artilharia Um,
o filme homónimo e russo,
os soluços que por um acaso qualquer
fugiram ao nosso querer. A noite
em Lisboa, chovida, é epitáfio bastante
para os corpos que perdem e perdem,
esquecidos no lugar de perderem.
A fraca certeza radiofónica
deixa o silêncio crescer desabrido,
ruas sobre ruas a arder.
Também eles as podem ver,
como incinerações descontínuas
que mendigam mais do que dão,
dando embora mais do que têm.
- Manuel de Freitas
Os Infernos Artificiais, Frenesi, 2001
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