gostava que esta fosse a última curva
do carro no vidro quebrado
e hoje entrei em salas em que tu nunca entraste
exceptuando quando lá entraste
trago de lá este verbo desinspirado
que daqui a mais cinco minutos
se converterá na minha carne
mas não terá o meu nome tatiana (eben att'ar) faia
respirará como se fosse carne
como se estivesse na carne
conhecerá uma leve précordialgia
essa palavra que devia ser
tão cara aos poetas
précordialgia
vem antes da morte três esquinas
à esquerda da curva no vidro.
o teu corpo sabia-me a quê, a cereja,
nele podia ter adiado o infinito suprimido
cada uma das pequenas mortes que me aguardam
depois da madrugada na curva
e que encontro debaixo das unhas.
o teu corpo podia ter-me adiado a vida
adiei tudo isso para hoje
Borges disse não se pode odiar um poente
mas eu odeio cada dia que passa
cada dia que passa é o combate do tambor
na minha carne
antes do embate na batalha
na minha carne.
não sabes como é cada dia que passa
porque conheces demasiado bem a sua morada
eu sou faetonte e aqueles os carros do Sol
queria dizer-te isto apenas isto.
queria que tivesse existido um grito antes
grito esse que agora fosse uma cicatriz
mas nós não temos bandeiras causas
queria um grito que fosse
a marca de uma meia lua na tua cara.
queria que tivesses a memória dele antes de.
queria que conhecesses a morte pela palavra
queria que a tivesses sabido mas agora é já demasiado
tarde uma palavra vã um grito calado
é preciso encontrar uma palavra que nos mate
antes de começar a viver
por muitos dias procurei ainda o sinal da chave
no teu peito eu podia abri-lo e salvar-te dele
fazer dele minha casa minha carne
entrar e sair quando quisesse
como as suaves marés contra
os corpos no pacífico era preciso o oceano
era preciso o oceano para me devorar o corpo
só isso podia substituir o punhal que trago
agendado dentro da garganta
uma angústia dentro de um eco
na minha carne o entrar e sair de casas
a angústia diante do eco
o entrar e sair de casas
para viver bastava a palavra certa
aquela que é o corpo exonerado da cobardia
não existe a palavra certa mas
é preciso encontrar a palavra que mata
que mate que mate que mate
para esquecer a carne
adiar o infinito nos punhos
bato três vezes contra o peito
com o punho fechado
o entrar e sair de casas
o som é semelhante à palavra
depois semelhante à folha
que tomba da árvore no outono...
a saída escavada na casa
do carro no vidro quebrado
e hoje entrei em salas em que tu nunca entraste
exceptuando quando lá entraste
trago de lá este verbo desinspirado
que daqui a mais cinco minutos
se converterá na minha carne
mas não terá o meu nome tatiana (eben att'ar) faia
respirará como se fosse carne
como se estivesse na carne
conhecerá uma leve précordialgia
essa palavra que devia ser
tão cara aos poetas
précordialgia
vem antes da morte três esquinas
à esquerda da curva no vidro.
o teu corpo sabia-me a quê, a cereja,
nele podia ter adiado o infinito suprimido
cada uma das pequenas mortes que me aguardam
depois da madrugada na curva
e que encontro debaixo das unhas.
o teu corpo podia ter-me adiado a vida
adiei tudo isso para hoje
Borges disse não se pode odiar um poente
mas eu odeio cada dia que passa
cada dia que passa é o combate do tambor
na minha carne
antes do embate na batalha
na minha carne.
não sabes como é cada dia que passa
porque conheces demasiado bem a sua morada
eu sou faetonte e aqueles os carros do Sol
queria dizer-te isto apenas isto.
queria que tivesse existido um grito antes
grito esse que agora fosse uma cicatriz
mas nós não temos bandeiras causas
queria um grito que fosse
a marca de uma meia lua na tua cara.
queria que tivesses a memória dele antes de.
queria que conhecesses a morte pela palavra
queria que a tivesses sabido mas agora é já demasiado
tarde uma palavra vã um grito calado
é preciso encontrar uma palavra que nos mate
antes de começar a viver
por muitos dias procurei ainda o sinal da chave
no teu peito eu podia abri-lo e salvar-te dele
fazer dele minha casa minha carne
entrar e sair quando quisesse
como as suaves marés contra
os corpos no pacífico era preciso o oceano
era preciso o oceano para me devorar o corpo
só isso podia substituir o punhal que trago
agendado dentro da garganta
uma angústia dentro de um eco
na minha carne o entrar e sair de casas
a angústia diante do eco
o entrar e sair de casas
para viver bastava a palavra certa
aquela que é o corpo exonerado da cobardia
não existe a palavra certa mas
é preciso encontrar a palavra que mata
que mate que mate que mate
para esquecer a carne
adiar o infinito nos punhos
bato três vezes contra o peito
com o punho fechado
o entrar e sair de casas
o som é semelhante à palavra
depois semelhante à folha
que tomba da árvore no outono...
a saída escavada na casa
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