sexta-feira, novembro 21, 2008

Volo vivace

Há noites de que perdemos
o rasto, desde a chegada
ao São Luiz a todos os bares
seguintes – geografia,
entretanto, dificilmente verificável.

Chamem-lhe nostalgia, se
quiserem. Não havia
muito mais que nos movesse
a sair de longes terras
para uma cidade com eléctricos.

(E o teu corpo, Liliana, não era
bem uma razão. Nada
que te impedisse de morrer
na sarjeta destes versos, depois
de termos gasto as asas do desejo.)

Por fim, talvez no Gingão,
encostávamos a cabeça
a um muro de garrafas
e sonhávamos ao vivo com
o violino de Blaine Reininger.

Fantasmas
sabendo-se fantasmas.
Mas o assobio de um de nós ficou gravado.

- Manuel de Freitas

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