Enterraremos tudo,
os braços e o movimento da pá,
a paixão de sexta-feira,
a bandeira de andarmos sós,
a pobreza, essa dívida
a riqueza, essa outra.
Enterraremos tudo até com sabedoria,
cortando subitamente os pedaços
ou cortando-os sem nos darmos conta, sabiamente.
Um resto de olhar
ficará flutuando como um pincel absurdo
sobre a trégua duplamente fiel de tudo ausente.
E menos mal que não haverá ninguém
para escavar logo bem fundo
e descobrir que não há nada enterrado.
Poesia Vertical, Roberto Juarroz
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