a água escorre pelo tecto não me deixa dormir a noite toda o vulto da minha mão que corre pelas paredes pelo corrimão da escada antes de chegar ao décimo terceiro andar tive de cortar o indicador da mão direita para ficar mais leve de modo a facilitar a subida eis o que de mim podia ficar guardado numa dessas catedrais bizantinas, Hagia Sophia sobretudo, se fosse possível converter-me a algum credo ou religião mas visto que já comecei a subir não há deus que nos valha onde a destra nos falha. ou assim dizem mas nestas coisas tenho sempre que me lembrar de dante e beatriz e que também eu estou. por isso é que esta noite voltei a ter aquele sonho da estrada. há uma estrada e uma vedação em frente à estrada e é preciso que eu salte a vedação e tenho uma pedra na mão direita e o vento passa-me por entre os dedos e eu preparo-me para saltar e ganho balanço correndo para atravessar a estrada depois vem o carro vem sempre o. a água escorrer recorda-me o vento que me escorre pelas mãos sinto-o no lugar do indicador que já lá não está e então. a água que escorre pelo tecto a partir da infiltração pinga para o chão e acorda-me.beatriz tem a mais feliz das memórias no ocidente.
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