O homem só escuta a calma voz
com um olhar semi-cerrado, quase um suspirar
que lhe soprasse na face, um suspiro amigo
que ascendesse - espantoso - de um tempo que se perdeu.
O homem só escuta a voz antiga
que seus pais, em seus tempos, terão escutado, clara
e recolhida, uma voz que, como o verde
dos charcos e das colinas, escurece ao anoitecer.
O homem só conhece uma voz de penumbra,
que afaga, que sobe no tom calmo
de secreta fonte: bebe-a absorto,
olhos fechados, e não parece que a tenha por perto.
É a voz que outrora demorou o pai
de seu pai e cada um dos mortos de seu sangue.
Uma voz de mulher que soa secreta
por sobre o limiar da casa, na escuridão que cai.
- Cesare Pavese
(Tradução de Tatiana Faia)
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