sexta-feira, novembro 21, 2008

A casa

O homem só escuta a calma voz
com um olhar semi-cerrado, quase um suspirar
que lhe soprasse na face, um suspiro amigo
que ascendesse - espantoso - de um tempo que se perdeu.

O homem só escuta a voz antiga
que seus pais, em seus tempos, terão escutado, clara
e recolhida, uma voz que, como o verde
dos charcos e das colinas, escurece ao anoitecer.

O homem só conhece uma voz de penumbra,
que afaga, que sobe no tom calmo
de secreta fonte: bebe-a absorto,
olhos fechados, e não parece que a tenha por perto.

É a voz que outrora demorou o pai
de seu pai e cada um dos mortos de seu sangue.
Uma voz de mulher que soa secreta
por sobre o limiar da casa, na escuridão que cai.


- Cesare Pavese

(Tradução de Tatiana Faia)

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