pulsa boémio pelas musas
e excêntrico abraça a mesa
arqueado pela úlcera maior
do torpor e da espera: a mecânica
de dedos tiqueteando o tampão nervoso
na absência da bebida
e do cadavérico copo.
Este é o encontro do poeta com a
árida cordilheira da garganta:
bebe o vidro e a toxicidade
e tesas de verbo e arte menores
mira as cortesãs e pensa-as
e sob os néons fatigados
as imprevisíveis moscas habitam o éter
enchendo tudo com a sua dança autista,
mecânicas mais,
promovendo a visão bestial do conjunto:
é clara agora a grande mosca, sinergética
e cooperativa nos trabalhos da náusea;
o poeta vê então o moscardo imenso
e espanta-se e teme pela vida: a dele
e a dos outros, sobriamente imperturbáveis;
assim troca a musa pela mosca;
o que acontece o mais das vezes.
- Daniel Jonas
Sem comentários:
Enviar um comentário