ANTROS DE PERDIÇÃO
Ainda havia antros de perdição, como a Pega e o Corvo, o Gato Torto, o cabaré Pampas, o bar Ali Bar e outros, que eram espaços que a mim me interessava conhecer e desfrutar antes que os fechassem e os convertessem em jardins-de-infância ou hospitais como convém numa sociedade como a nossa. Passada a meia-noite, por ali caíam cantoras e artistas meio proibidas, umas por serem putas, outras por serem lésbicas, outras bêbadas ou drogadas, e as outras por combinações diversas destas qualidades e todas por representarem demasiado o mundo decadente e putrefacto do qual queríamos sair. Naqueles antros bebia-se, fumava-se e até se copulava. Também se deixavam cair por ali outros espécimes, tais como chulos, velhas matronas, dealers, mariconços, cabeleireiros, travestis, artistas da rádio e da televisão e toda essa fauna em vias de extinção. Perto da madrugada, quando já praticamente não havia público, as cantoras, sem terem autorização para isso, desde as suas mesas, ou da barra, começavam a descarregar boleros ou temas do filin, e ouvi-las era um privilégio e um momento histórico como mais tarde foi reconhecido.- Senel Paz(jóia achada no Café Central)
segunda-feira, setembro 15, 2008
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poesia de fora
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1 comentário:
faz-me lembrar o antigo cachupa. sítios onde poisam personagens como o "comandante" ou a tipa velha (de história ninguém sabe bem qual) que mostrava as mamas, não se encontram todos os dias.
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