segunda-feira, agosto 25, 2008

Ma sagesse est aussi dédaignée que le chaos.
Qu'est mon néant auprès de la stupeur qui vous attend?

Rimbaud

Atravessando distâncias mentais, planícies
Inférteis com um gosto a cinza no ar, engordámos
Quase sem querer. Tudo foi para nada e
Hoje a arte enche-se num enorme bocejo.
A cabeça sombria inclina-se distraída,
Coleccionando vestígios,

Flores secas, débeis, uma memória de cores
Indisponíveis que junta a mais alguns desequilíbrios
Na paisagem. A lua entornada sobre os bancos
De um jardim anoitecido reclama
Este peso que já não irá a nenhum lugar
E as palavras surgem depois, aos cacos,

Como vasos quebrados nestas mãos ingénuas.
De novo nos acerta uma beleza triste, fatal
E o coração é um vazio sobresselente, outra imagem
De mau gosto. No fim sobrepõe-se a dura descrição dos factos.
Talvez seja já a morte que se aproxima e que, num último gesto
De compaixão, escreve os nossos melhores versos.

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