E poderia dar-te
um chão de celofane, onde desliza a onda
em noite fresca;
quatro paredes, pintadas de gaiola,
e o implacável mármore dos dentes. Amor viria
de asas cegas no recorte,
e o mel, as moscas, tudo nos seria
maneira de afastar a morte.
E cresceriam aves no lugar dos frutos, enganados
pela contínua exaltação da rima;
e saberia, acaso, até como ser triste
sem provérbio nem cão,
de olhos brancos no ar, como quem dorme
na romba lâmina de um canivete.
- António Franco Alexandre
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