![[Rob.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgKd8p5i8HebLA_hIi6CsptbuQz27PfMhzNSCSm7gRPRKTl_jXxvViB8vqoLdyK6rzgzf8oNDmVvVr8WkaCrUz-xUtZpuOLDNZiGLE0eezpCe7j-qwirbgXWZvsZ2DKl5rEWZE9pQ/s1600/Rob.jpg)
(...) porque não aperfeiçoamos as coisas à medida que as amamos mais e mais, nem as pessoas. Mas nós sim, como artistas da afeição transformamos aquilo que amamos, encontramos formas de mergulhar cada vez mais fundo no nosso afecto por elas e somos verdadeiros criadores, que pintamos na tela que é a vida e o corpo de outros uma verdadeira obra prima que, no entanto, só nós podemos espreitar, olhar com deleite e admiração. O amor é afinal um assunto muito pessoal e íntimo. Começa a ser comum a ideia de que o amor é uma arte solitária, um caminho percorrido por cada um de nós a sós e os outros, os objectos que esta arte desenvolve, não passam das circunstâncias que de uma forma ou outra facilitam ou dificultam a aproximação do amante à sua realização artística.
Amar heroicamente é uma coisa de doidos. O amor que sobrevive existe só no peito daqueles que estabelecem pactos e fazem compromissos entre a sua vontade e a vontade do outro. Admitamos que esta não é só uma construção pessoal, como por vezes nos parece ser, tomando a forma do altruísmo, é afinal muito egoísta. O amante ama-se através do outro. Amar é sempre um feito notável, mas é só uma realização de quem ama. Um amor sobrevivente é muito mais um amor frio, calculista, um amor que faz os trabalhos de casa e toma as suas precauções, não se limita a fruir de todo o espaço que possa consumir como um incêndio, este é um amor que reconhece as suas fraquezas porque não se ama realmente nada mas tudo são castelos no ar.
Existem na verdade castelos, mas são fortificações construídas por motivos de sobrevivência e o amor não é uma questão de sobrevivência, é muito mais um ânimo, um esplendor, uma libertação da fúria que reside no lugar que o mundo ocupa em nós, quando nós ocupamos um lugar tão limitado no espaço do mundo. O mundo nunca seria tão grande no nosso mapa de sensibilidades se não fossemos extravagantes, porque não podemos abraçar a dimensão de tudo mas só exagerar a nossa própria dimensão. A loucura é afinal um caminho de expansão óbvio e o afecto bem como o ódio e o medo são os lados obscuros desta nossa carga de entusiasmos.
Não há nenhuma princesa senão as filhas dos reis e os reis não são mais do que homens enganados com coroas feitas à sua medida. Quando mandam mandam só porque os deixam mandar mesmo que as coisas se entendam ao contrário. A verdade é sempre muito simples, tão simples que o nosso desejo só poderia ser o de complicar. O amor que queremos herdar dos deuses, das lendas e dos espaços infinitos que compreendem o nosso desejo imortal é afinal apenas uma fraqueza de um ser tão breve no espaço que se sente sempre ameaçado pelo fim. O fim é o nosso espelho constante, não conseguimos deixar de dar um passo sem observar o fim da estrada, mesmo quando não vemos o fim vamos propondo um, imaginário claro está.
E a imaginação será sempre o princípio e o fim da aventura. É onde tudo é possível, quando a vida sabe que as coisas que são possíveis não cumprem em si qualquer realização total, não há num momento maior que os outros, para o homem, a sua ideia de satisfação. Ninguém carrega essa bandeira mas é só uma imagem que se imagina e que como na história do rei que passava nu, todos nos comportamos perante certas realidades como se elas não fossem claras, até que uma criança ainda não vencida pela vergonha acaba por nos abrir os olhos. O amor como tudo o resto são roupagens invisíveis que nos vestimos para ver (ou esconder) o que não está lá, e não há mal nenhum nisso desde que continuemos a querer perceber que o mundo é um vazio para as nossas invenções, só que nada do que se inventa preenche esse vazio, o vazio será sempre o mundo onde nascem e morrem os homens, tão breves como são.
Amar heroicamente é uma coisa de doidos. O amor que sobrevive existe só no peito daqueles que estabelecem pactos e fazem compromissos entre a sua vontade e a vontade do outro. Admitamos que esta não é só uma construção pessoal, como por vezes nos parece ser, tomando a forma do altruísmo, é afinal muito egoísta. O amante ama-se através do outro. Amar é sempre um feito notável, mas é só uma realização de quem ama. Um amor sobrevivente é muito mais um amor frio, calculista, um amor que faz os trabalhos de casa e toma as suas precauções, não se limita a fruir de todo o espaço que possa consumir como um incêndio, este é um amor que reconhece as suas fraquezas porque não se ama realmente nada mas tudo são castelos no ar.
Existem na verdade castelos, mas são fortificações construídas por motivos de sobrevivência e o amor não é uma questão de sobrevivência, é muito mais um ânimo, um esplendor, uma libertação da fúria que reside no lugar que o mundo ocupa em nós, quando nós ocupamos um lugar tão limitado no espaço do mundo. O mundo nunca seria tão grande no nosso mapa de sensibilidades se não fossemos extravagantes, porque não podemos abraçar a dimensão de tudo mas só exagerar a nossa própria dimensão. A loucura é afinal um caminho de expansão óbvio e o afecto bem como o ódio e o medo são os lados obscuros desta nossa carga de entusiasmos.
Não há nenhuma princesa senão as filhas dos reis e os reis não são mais do que homens enganados com coroas feitas à sua medida. Quando mandam mandam só porque os deixam mandar mesmo que as coisas se entendam ao contrário. A verdade é sempre muito simples, tão simples que o nosso desejo só poderia ser o de complicar. O amor que queremos herdar dos deuses, das lendas e dos espaços infinitos que compreendem o nosso desejo imortal é afinal apenas uma fraqueza de um ser tão breve no espaço que se sente sempre ameaçado pelo fim. O fim é o nosso espelho constante, não conseguimos deixar de dar um passo sem observar o fim da estrada, mesmo quando não vemos o fim vamos propondo um, imaginário claro está.
E a imaginação será sempre o princípio e o fim da aventura. É onde tudo é possível, quando a vida sabe que as coisas que são possíveis não cumprem em si qualquer realização total, não há num momento maior que os outros, para o homem, a sua ideia de satisfação. Ninguém carrega essa bandeira mas é só uma imagem que se imagina e que como na história do rei que passava nu, todos nos comportamos perante certas realidades como se elas não fossem claras, até que uma criança ainda não vencida pela vergonha acaba por nos abrir os olhos. O amor como tudo o resto são roupagens invisíveis que nos vestimos para ver (ou esconder) o que não está lá, e não há mal nenhum nisso desde que continuemos a querer perceber que o mundo é um vazio para as nossas invenções, só que nada do que se inventa preenche esse vazio, o vazio será sempre o mundo onde nascem e morrem os homens, tão breves como são.
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