Saio de casa à procura de uma coisa tão fácil de esquecer. Nada me espanta já mas é como se esperasse que as pessoas se calassem para que eu pudesse continuar a ler pessoas já mortas e sempre silenciosas. Às tantas quase chorei, num banco à espera do metro, com as confissões sentimentais do Silva Pinto também ele já morto. Eu lia-lhe as palavras dos dias em que chorou porque o seu amigo tinha uma morada nova de pedra com uma porta de ferro e um respiradoiro em cruz - rua nº 7 do Cemitério dos Prazeres. Depois segui em frente e tentei concentrar-me naquela forma cuidadosa de contar as coisas na arrumação dos alexandrinos e andei por baixo de Lisboa para chegar a uma livraria que vendesse o Manuel de Freitas. Os romances são todos os mesmos e copiam-se e estão por todo o lado e é até difícil saber em qual havemos de pegar porque estamos a escolher um e a esquecer mil, mas com a poesia é outra a estória, uma estória complicada porque é tão difícil de achar. Temos que nos contentar demasiadas vezes com o que há e só há sempre as mesmas coisas e uma ou outra variante perdida.
Estive sempre a pensar em pedir a alguém que se calasse. E lá acabei por chegar ao sítio com livros onde só havia um livro e por isso lá comprei um outro para não sentir que tinha saído de casa para ir buscar um panfleto. É outro dos problemas da poesia - vem em panfletos que custam um pouco menos de dois contos. Vá lá que o Manuel é brincalhão e pôs o seu livro a custar 8 euros e um cêntimo o que me arredondou a conta com o outro a 9 euros e 99 cêntimos. Os poetas portugueses percebem estas viagens parvas de uma ponta à outra da cidade em busca de um autor perdido.
Trouxe de volta o corpo para casa e parece que tudo está pesado de um cansaço de ginásio e eu detesto ginásios e fatos de treino e vidas de iogurte e fruta e relva e ipods com a mesma música fácil de sempre. E o Verão na cidade é uma estação de restos, o metro está vazio mas os carteiristas ainda andavam por ali aos pares a tentar lixar o dia a alguém e as pessoas estão largas de mais e eu só posso acomodar o corpo a uma metade do banco mesmo eu sendo o maior. Os velhos esquecem-se que os jovens estão a perder a juventude tão depressa como eles estão a perder a vida. O melhor é não sair de casa encomendar tudo na internet e esquecer que há um mundo nada poético onde as crianças correm pelos corredores das livrarias a gritar por razão nenhuma e os paizinhos andam atrás deles pedindo desculpa, envergonhados, domados, esgotados, quase esquecidos da razão que os fez querer aquelas crianças demasiado alegres, quase estúpidas.
Eu vou descansar que estou notavelmente mal disposto e isso é coisa que não podemos permitir-nos em tempo de férias.
Estive sempre a pensar em pedir a alguém que se calasse. E lá acabei por chegar ao sítio com livros onde só havia um livro e por isso lá comprei um outro para não sentir que tinha saído de casa para ir buscar um panfleto. É outro dos problemas da poesia - vem em panfletos que custam um pouco menos de dois contos. Vá lá que o Manuel é brincalhão e pôs o seu livro a custar 8 euros e um cêntimo o que me arredondou a conta com o outro a 9 euros e 99 cêntimos. Os poetas portugueses percebem estas viagens parvas de uma ponta à outra da cidade em busca de um autor perdido.
Trouxe de volta o corpo para casa e parece que tudo está pesado de um cansaço de ginásio e eu detesto ginásios e fatos de treino e vidas de iogurte e fruta e relva e ipods com a mesma música fácil de sempre. E o Verão na cidade é uma estação de restos, o metro está vazio mas os carteiristas ainda andavam por ali aos pares a tentar lixar o dia a alguém e as pessoas estão largas de mais e eu só posso acomodar o corpo a uma metade do banco mesmo eu sendo o maior. Os velhos esquecem-se que os jovens estão a perder a juventude tão depressa como eles estão a perder a vida. O melhor é não sair de casa encomendar tudo na internet e esquecer que há um mundo nada poético onde as crianças correm pelos corredores das livrarias a gritar por razão nenhuma e os paizinhos andam atrás deles pedindo desculpa, envergonhados, domados, esgotados, quase esquecidos da razão que os fez querer aquelas crianças demasiado alegres, quase estúpidas.
Eu vou descansar que estou notavelmente mal disposto e isso é coisa que não podemos permitir-nos em tempo de férias.
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