quinta-feira, agosto 02, 2007

era uma vez

Pasa de largo. Ahora sobrecoge
la tensión infinita de los límites.
Nunca conoceremos
al Tiempo íntimamente.

- Aurora Luque


era uma vez: tu a dizeres-me sempre que não
ou a dizeres apenas nunca

e a minha dor feita desse tempo
esse silêncio que tu dizias
sem apareceres
e a minha dor feita da espera
continuada ao longo das paredes
e de volta à minha pele
e a sentir-te na ausência,
prolongamento
de nada
e a acreditar que sofro
de uma alergia ao tempo
quanto mais o tempo passa
mais doente e mais certo estou
que não virás
a tempo
do meu momento final.
como desesperamos sem um sinal

não fomos feitos para enfeitar as paredes
como fazem os relógios

é estranho escrever-te assim
intimamente, escrever-te cartas
que na hora de serem expedidas
se apagam na falta de uma morada

e tu que és tu que és tu que és tu
cansas-me
não respondes
não dizes nada,
nem isso me dizes
e de alguma maneira
existes numa terra do nunca
onde (se tu me quisesses levar)
eu podia curar-me e talvez pensar
num final feliz.

2 comentários:

Jornalistas, Publicitários, Artistas. disse...

Bravo, bravo, sem palavras a não ser estas.

paz.

. disse...

muito bom