Melhor seria que não me lessem nunca
Os que por costume lêem poesia.
Muito além deles conseguir falar
Ao que chega a casa e prefere o álcool.
A música de acaso, a sombra de alguém
Com o silêncio das situações ajustadas.
Não ser lido por quem lê. Somente
Pelos que procuram qualquer coisa
Rugosa e rápida a caminho de uma revista
Onde fotografaram todo o ludíbrio da felicidade.
Que um poema meu lhes pudesse entregar,
Ademais da morte,
Um alívio igual ao de atirar os sapatos
Que tanto apertam os pés desencaminhados.
- Joaquim Manuel Magalhães
Sem comentários:
Enviar um comentário