a verdade
não é assim tão importante
já não é significativa
tomámos a pílula azul
preferimos a ilusão
de um bom bife
à sensaboria do que é real
o mundo
mais uma vez - outra vez
(como nos nossos livros de história
e naqueles documentários
que apanhamos já a meio
por acidente
e aos quais assistimos
enquanto o sono não nos quer levar
porque infelizmente
não está a dar nada melhor)
o mundo é deles
e este é o nosso tempo
é a nossa vez
mas os nossos filhos
vão ter que entender
que não havia nada que pudéssemos ter feito
eles vão questionar-nos:
depois de tudo
depois do holocausto
depois da bomba
não aprenderam nada?
e nós havemos de responder-lhes:
a vida é complicada, um dia vais perceber...
e um dia eles vão perceber
do nosso tempo
ficarão livros e documentários
para mostrar as coisas
que os nossos filhos da puta
conseguiram,
e já conseguiram muito:
mandaram as torres ao chão
usaram um rosto e um nome
que não nos diziam nada
e atiçaram o nosso ódio
inventaram para nós o jornal do terror
e enquanto nos distraíam
invadiram um país
lixaram aquilo tudo
e afinal tinham-se enganado
mas pediram desculpa
oops we did it again
mas não se vão ficar por aqui
nas notícias agora
já se ouve falar muito
de outro país lá para essas bandas
onde ainda há muita gente
que precisa da nossa ajuda
(encolhemos os ombros
e suspiramos)
bem, shit happens,
não é?
o que é que se pode dizer?
pouca coisa
quase nada,
- temos que acabar-
daqui a nada vai dar a novela
logo à noite há futebol
e depois saímos
há a música
vamos beber e dançar
dançamos
dançamos
dançamos
passamos as nossas vidas a dançar
do outro lado do mundo
filmam-se aqueles filmes
com aquelas crianças, sempre
as mesmas, com aquelas caras
e os corpos
nus, despedaçados
subnutridos
e aqueles grandes olhos
de quem não vê nada
o argumento é sempre o mesmo
é muito realista
mas... repetitivo
um pouco chato
é que já nem dá para chorar
os minutos passam
e eles morrem-se para ali,
---
desligamos a televisão
vamos lamber um gelado
e andar debaixo do sol na praia
com os pézinhos a chutar o mar
não podemos fazer grande coisa
nós também temos as nossas vidas
e temos que as viver
o mal, aliás, é de quem manda
quem obedece só pode esperar pelo melhor,
não é?
esperemos então por dias melhores
até ao fim, esperemos
até ao fim
não é assim tão importante
já não é significativa
tomámos a pílula azul
preferimos a ilusão
de um bom bife
à sensaboria do que é real
o mundo
mais uma vez - outra vez
(como nos nossos livros de história
e naqueles documentários
que apanhamos já a meio
por acidente
e aos quais assistimos
enquanto o sono não nos quer levar
porque infelizmente
não está a dar nada melhor)
o mundo é deles
e este é o nosso tempo
é a nossa vez
mas os nossos filhos
vão ter que entender
que não havia nada que pudéssemos ter feito
eles vão questionar-nos:
depois de tudo
depois do holocausto
depois da bomba
não aprenderam nada?
e nós havemos de responder-lhes:
a vida é complicada, um dia vais perceber...
e um dia eles vão perceber
do nosso tempo
ficarão livros e documentários
para mostrar as coisas
que os nossos filhos da puta
conseguiram,
e já conseguiram muito:
mandaram as torres ao chão
usaram um rosto e um nome
que não nos diziam nada
e atiçaram o nosso ódio
inventaram para nós o jornal do terror
e enquanto nos distraíam
invadiram um país
lixaram aquilo tudo
e afinal tinham-se enganado
mas pediram desculpa
oops we did it again
mas não se vão ficar por aqui
nas notícias agora
já se ouve falar muito
de outro país lá para essas bandas
onde ainda há muita gente
que precisa da nossa ajuda
(encolhemos os ombros
e suspiramos)
bem, shit happens,
não é?
o que é que se pode dizer?
pouca coisa
quase nada,
- temos que acabar-
daqui a nada vai dar a novela
logo à noite há futebol
e depois saímos
há a música
vamos beber e dançar
dançamos
dançamos
dançamos
passamos as nossas vidas a dançar
do outro lado do mundo
filmam-se aqueles filmes
com aquelas crianças, sempre
as mesmas, com aquelas caras
e os corpos
nus, despedaçados
subnutridos
e aqueles grandes olhos
de quem não vê nada
o argumento é sempre o mesmo
é muito realista
mas... repetitivo
um pouco chato
é que já nem dá para chorar
os minutos passam
e eles morrem-se para ali,
---
desligamos a televisão
vamos lamber um gelado
e andar debaixo do sol na praia
com os pézinhos a chutar o mar
não podemos fazer grande coisa
nós também temos as nossas vidas
e temos que as viver
o mal, aliás, é de quem manda
quem obedece só pode esperar pelo melhor,
não é?
esperemos então por dias melhores
até ao fim, esperemos
até ao fim

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