o Mundo não é uma solidão só nossa.
no quarto individual onde nos arrestamos
podemos ouvir os silêncios de quem nos quartos contíguos
também vive
às vezes por entre a frincha na porta
surge uma mão que nos masturba
e assim vamos convivendo
como íntimos estranhos
somos tratados igualmente:
em todos os quartos entra a mesma ração diária de luz
uns escrevem, outros pintam e outros fazem outras coisas
e depois há os que não fazem nada de jeito e os que
pensam e estudam coisas como a morte
no conjunto talvez sejamos
algarismos de um algoritmo
cuja resolução nos ultrapassa
e no corredor que dá para todos os quartos
passeia o senhor das chaves:
vai e vem, e às vezes pára junto a uma porta
(ouve-se um grito)
e depois tudo regressa ao mesmo drama silencioso
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