domingo, maio 20, 2007

Narciso


Quem quis contar a tua história foi invejoso
Teve que arranjar um meio claro de te castigar
Pela única coisa que talvez faça todo o sentido:
Gostar-se acima de tudo primeiro de nós mesmos.

Mas afinal a que mal te conseguiram embaraçar?

O de te amares sem reservas, sem um grau intermédio:
O nome de uma mulher qualquer que hoje não seria mais
Que a referência morta que arranjaste para o teu sentimento
Um exagero que enfim provava ao mundo tua grande habilidade

(Amar a outro é dedicar-lhe uma bela ideia
Cheia das grandezas que lhe faltam para ser
Essa amável coisa que aí chega à perfeição
Como o reflexo do que nos parece bem)

Pois eu prefiro acreditar que tu só morreste
No momento certo, quando na superfície da água
Descobriste um reflexo reservado ao olhar dos deuses
E no final isso é que foi demais para um reles mortal.

1 comentário:

José disse...

atenção, parece que afinal não foi pela sua imagem que ele se apaixonou mas pela sua voz. O sentido é o mesmo mas é mais intimista.