quinta-feira, maio 24, 2007

Este nosso fio por onde seguimos


Quem vê pouca utilidade na internet e até a julga precipitadamente como um imenso contentor cheio de lixo, que não é possível filtrar para se chegar até o que interessa, não sabe mover-se nesta rede intricada onde se escondem e se mostram algumas das mais maravilhosas peças a que uma pessoa pode deitar a mão. Desde que me entreguei à construção deste espaço esforcei-me para descobrir conteúdos que pudessem integrar e valorizar o Melhor Amigo, lançei-me realmente sobre o desafio de tentar encher um baú sem fundo onde se pudessem encontrar coisas de variado tipo mas sempre com bastante interesse e qualidade.
À medida que o blogue se aproxima do seu primeiro aniversário entendo que consegui ir além do que podia esperar porque realmente fui sendo apanhado desprevenido pela quantidade de coisas que encontro e que me fascinaram e encantaram, e, num sentido profundo, mudaram a minha perspectiva sobre uma imensidão de coisas que reequilibram o mundo.
Do total das coisas que passaram pelos meus olhos na navegação que fiz e vou fazendo na rede talvez mais de 95% sou obrigado a rejeitar à partida e outras embora me sirvam de alguma maneira não chegam às páginas do Melhor Amigo porque nas escolhas que faço tento procurar um jeito de selecção útil que vá de encontro a uma abordagem específica - que está muito ligada ao meu próprio desenvolvimento consciente. Fazendo uma viagem em retrospectiva consigo detectar em mim extraordinários progressos que ninguém, nem um melhor amigo, pode compreender totalmente mas sei que quem me acompanha vai sentindo que está perante uma pessoa que se revela num jogo de constante evolução - mesmo que o faça pulando entre momentos de algum equílibrio e outros de desamparo completo...
Não sei qual é a meta, concretamente não posso apontar para a frente e dizer que fica ali o lugar onde quero chegar mas (e agora posso espetar aqui um grande mas) já me envolvi o suficiente para saber que tenho um objectivo muito claro que se foi revelando aos poucos, sobretudo com a tomada de consciência de certos erros que estavam a adoecer-me a inteligência e que hoje vou chutando como posso para fora de mim. Agora sei que faço isto para conquistar pessoas (amigos) e para me cultivar - mais uma vez e voltando ao mesmo, porque quero conquistar pessoas (amigos). Sei, e admito, que sou um rapaz um pouco obcecado com a necessidade de me tornar uma pessoa amigável, talvez a palavra certa seja mesmo amável, tenho esta necessidade de me sentir útil, de merecer um espaço próprio e este é o sítio onde eu como corpo não existo e posso assim desmistificar-me, despir-me, ser uma pessoa a sério, daquelas que pensam e se explicam e que afinal são como toda a gente, um mundo particular sensível/compreensível.
Já sei que não sou especial, acabei de o dizer com a afirmação anterior mas é claro que sou especial, sou tudo o que tenho, sou tudo o que há em mim, sou a minha única hipótese de dar certo, de fazer sentido, de conseguir alguma coisa e um dia, lá mais para o final, de me sentir bem comigo e com a esta vida.
Tenho-me esforçado como sei para conseguir chegar a mais pessoas, não sei quem, não sei que pessoas, não posso chamá-las pelo nome mas gostava de ter mais reacções como as poucas e preciosíssimas que já tive. A sensação de ponte, de ligação, a relação de afinidade que à distância já me aproximou de uma ou outra pessoa deixou em mim marcas valentes e acredito que há muito mais nesta linha, há um caminho que vai longe. Por isto que acabei de dizer eu sei que não quero recolocar-me e escolher uma linha mais reservada, como a de quem escreve como quem se interrompe, como quem pausa para um cigarro e um pensamento... Não quero ser responsável por um blogue que facilita demasiado a visita, um daqueles blogues que corre de frases elaboradas para parecerem frases feitas, fortes, dignas. Eu tenho 21 anos, vou fazer 22 dentro de dois meses. Estou por fazer, estou imperfeitíssimo do ponto de vista mortal claro está... Porque sim, eu acredito numa espécie de perfeição que tem a ver com darmos tudo e procurarmos o melhor que há em nós com o tempo que temos. Como não somos projectos eternos a nossa perfeição é subjectiva, não tem a objectividade divina. Eu vou-me acabar longe daqui, muito longe deste ponto, espero eu, muito melhor do que sou. O blogue O Melhor Amigo é só um pedaço do chão que terei pisado quando eu finalmente me acabar, até lá estou compenetrado neste meu tudo que já sei que é um compasso entre uma coisa e outra que eu não sei.
Agradeço aos muito poucos que vêm comigo e que chegaram até esta linha, agradeço-lhes profundamente com palavras e um forte sentimento que tenho aqui agora comigo antes de me deitar. Espero que encontrem os motivos para continuar não só pela companhia mas sobretudo por essa amizade que eu ousadamente prometo sempre.
Vou com esta hora até à outra e amanhã voltamos ao mesmo e será assim até que cheguem os dias de que estamos à espera.

Um abraço

1 comentário:

Filipe Marques da Costa disse...

Não há um dia que não venha ao melhor amigo. Sei que não posto há muito tempo, mas queria-te só dizer que continúo por aqui. E é com gosto que volto todos os dias. Força aí.