quarta-feira, abril 18, 2007

Filhos únicos


Deve ser difícil entender algumas coisas quando se é filho único. É realmente um problema que eu observo do lado de fora e que fico feliz por não ser um entre os meus. De alguma maneira poder olhar para o lado e ver em concreto alguém que só por ser já tem muito a dizer sobre nós é bom. Gosto de partilhar a minha identidade com mais duas pessoas e embora perceba que há um rio que nos separa aos três pelo menos podemos olhar para a outra margem e ver... De resto essa partilha só é possível através de um esforço que acaba quase sempre por ser superior às nossas forças; até certa altura ainda nos aguentamos mas acabamos por nos afogar e ter que voltar atrás. Há um mar entre nós, amigos, amantes... Não há um mar entre irmãos, há um rio, às vezes um rio muito agitado mas sempre um rio. Uma bela tarde, num barco, fazemos a travessia e podemos encontrar-nos, passear e falar, falar realmente das coisas pequenas como pequenas que são.
Graças a Deus eu não sou filho único.

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