domingo, março 04, 2007

Resistências da vida


Penso na translucidez dos corpos
panos brancos onde se projectam sombras
como retratos encardidos pela sujidade térrea
a de uma alma que não se lava desde a infância
amarrada só, à espera do oceano da morte
para que o sal purifique a porcaria
esta porcaria que a carrega e pisa
desenhando a giz no chão
essas imagens declinadas
resistências da vida
os corpos

Sinto o corpo esperar
o choque libertador da morte
para se apagar desta negritude
onde a sombra se mortalizou

Ao sentir dor pergunto-me:
Um corpo... Para quê
um corpo?

1 comentário:

AB disse...

um corpo para abrigar a insubstância da alma.. um corpo para exprimir o invisível de nós.

:P

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