
Eles tinham a imagem da verdade atrás das costas. Uma rotação num ângulo de 180º era o que podiam fazer se quisessem simplesmente olhar a realidade assim... na cara. Em baixo, no sentido em que os olhos se fixam cada um se acostuma à presença da sua sombra. Como não podem ver para trás das suas costas não sabem que a sombra tem um reverso. Esse reverso não é a luz, não, a luz já é outra coisa. O reverso é o outro lado. Ninguém nunca lhe deu nome porque as pessoas normalmente só se preocupam em nomear as coisas que vêm, é natural, é uma necessidade - apontar o dedo e dizer "olha aquilo, é um gafanco". Um gafanco não é nada. É o que nós quisermos que um gafanco seja. Então este reverso da sombra, o brasom, é aquilo que andamos à procura nos olhos das outras pessoas. É aquilo que só as outras pessoas nos podem dizer sobre nós. Nós sabemos quem somos e isso enche muitas páginas do livro que está a ser escrito na nossa cabeça mas há umas páginas que só os outros podem escrever para nós... Daí resulta essa necessidade tão difícil de justificar, o reconhecimento da nossa imagem para além dos limites de um simples reflexo, nos olhos dos outros.
Todos os dias eles limpam os vidros e vêm uma imagem distorcida da realidade que têm nas suas costas e isso já é outra coisa. Olhar para o céu é olhar para o céu, cada um sabe o que vê. Importante é manter as superfícies bem limpas para todos o verem.
O vidro é uma invenção espectacular. Uma barreira que nos guarda mas que se for bem limpo não limita o olhar.
Eles mantinham a transparência do vidro. Se por acaso se descuidassem ou fizessem o seu trabalho mal feito por desinteresse as pessoas guardadas atrás dos vidros dificilmente saberiam dizer se era dos vidros ou se o céu estava menos... céu.
Todos os dias eles limpam os vidros e vêm uma imagem distorcida da realidade que têm nas suas costas e isso já é outra coisa. Olhar para o céu é olhar para o céu, cada um sabe o que vê. Importante é manter as superfícies bem limpas para todos o verem.
O vidro é uma invenção espectacular. Uma barreira que nos guarda mas que se for bem limpo não limita o olhar.
Eles mantinham a transparência do vidro. Se por acaso se descuidassem ou fizessem o seu trabalho mal feito por desinteresse as pessoas guardadas atrás dos vidros dificilmente saberiam dizer se era dos vidros ou se o céu estava menos... céu.
2 comentários:
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O vidro é uma invenção espectacular. Uma barreira que nos guarda mas que se for bem limpo não limita o olhar.
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Gostei imenso do texto
muito obrigado Isabel
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