quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Revoluções e afins


As revoluções dos que se fazem de gente grande tem sempre aquele relato com uma força maior do que a verdade que se sentiu e viveu. As coisas por vezes mudam só porque sim, mas às vezes as coisas não mudam realmente quase nada no entanto acontecem revoluções que só fazem mesmo sentido quanto ao que se sentiu e viveu.
Vim agora de uma revolução, espontânea... Fomos ao colégio dos muros altíssimos com arame farpado e vidros partidos no cimo, das manhãs e das tardes fechadas por trás de um portão onde nos querem deixar ir com autorização. Viemos de lá agora. Estive lá com mais quatro e podiam ter sido só dois, até porque esta é uma revolução daquelas em que não é condição um agrupamente, em que não é preciso fazer planos nem pedir autorizações.
Mijámos as paredes do colégio, cagámos nas cadeiras dos professores, gritámos os nomes deles com o sufixo que cada um merecia.
Esta noite fizemos no colégio o que nos apeteceu. Amanhã de manhã saímos sem querer da cama, voltamos ao mundinho emuralhado mas aquelas paredes mijadas não serão as mesmas, os nossos colegas vão falar muito dos nossos cagalhões e os professores revoltadíssimos vão falar num tom policial e acusar o ar das merdas que uns merdolas fizeram. Nós vamos ouvir um eco no fundo da cabeça e vamos guardar um segredo que nos faz conter o riso.

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