terça-feira, fevereiro 13, 2007

Restos in peace

Já soube quanto tempo um dia demorava a passar
Agora os dias variam, uns somem-se e deles ficam rumores
Outros dias parecem semanas, encontro neles tempo para tantas coisas
Hoje parece que o dia se resumiu a dois pés fora da cama
Já só recordo vagamente o que fiz e sei que vai ser um dia entre os esquecidos
A maior parte dos dias em que penso nisso a vida revela-se só isto
Dias que passam
Custa-me assumi-lo mas eu não estou com os olhos postos no horizonte
Os meus olhos descansam distraídamente junto aos meus pés
Mas não sei de que cansaço
Talvez eu cá não faça mais que largar pêlos e bocadinhos de pele gasta
de não fazer nada a não ser acordar e adormecer
E os restos que eu deixo são talvez só pó e lixo que a terra come
Há-de chegar o dia em que a terra me há-de engolir todo, finalmente
Nesse dia eu não imagino quem serei, mas sei que esse corpo será
o prolongamente deste meu
E enquanto os meus dias se prolongam eu só espero ser encontrado
por alguma força maior que a própria terra, para que no último momento
não seja a terra a levar tudo o que alguma vez restou de mim.

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá, Diogo!

Deixo aqui a minha opinião geral em relação aos teus textos; se, por um lado me espanta a quantidade de informação que consegues processar dentro de ti em tão curto espaço de tempo, por outro a tua poesia, em particular, apresenta uma sensibilidade expressa de forma muito clara e esta tem o poder em apanhar o leitor e levá-lo numa viagem, por vezes atribulada, de emoções. E isso já é tanto!

Parabéns e continua!

Anónimo disse...

olá, eu só vim cá dar um abraço, já vi o desgaste no Braganza...

Em termos políticos estamos nos antípodas, ou talvez já não por causa da geometria variável que desestrutura os dogmas.

Bonito poema, talvez rocemos na 5ª dimensão.

py

Diogo Vaz Pinto disse...

Muito obrigado pelos comentários e peço desculpa pela produção que vem precipitada... Vou falhar três vezes e com sorte acertar uma vez. Talvez um dia possa saber queimar tudo o que está a denegrir-me por dentro e por fora.