domingo, fevereiro 18, 2007

pintar o tempo


Há quem olhe lá para fora, pela janela, e vendo como o dia está triste e cinzento feche a janela e ligue a televisão, abra um livro, uma revista ou um jornal. Há outros que se põem encostados à janela, muito atentos à imagem de um dia muito semelhante a um número tão grande de dias que se diz um sem número de dias... Encostados à imagem real criam eles próprios com tinta uma imagem que é irreal mas tão parecida quanto lhes é possível na sua deficiência artística criar alguma coisa. Vive-se assim a tristeza de um dia cinzento em muitos quartos onde capturar o cinzento é o esforço de um dia inteiro. O dia acaba com a noite e depois vem outro dia que com alguma sorte será até mais colorido mas mesmo que seja semelhante ao dia anterior já não é o mesmo e o pintor tem que começar um novo trabalho.
Os dias parece que se repetem mas nunca são iguais. É mais triste que venha um dia triste e que o queiram pintar do que o tentem esquecer.
Eu olho pela janela uma vez e preocupo-me com o tempo quando tenho que sair, de resto sigo o meu caminho para que os meus dias não se assemelhem demasiado mas sejam iguais, coloridos pelas tintas que o dia lá fora não escolheu.

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