terça-feira, fevereiro 13, 2007

little red hood


Ele muitas vezes se deitava a pensar. Ficava num sítio qualquer, podia ser o primeiro lugar onde se apanhasse sem ter que ir para algum outro lugar. Muitas vezes as pessoas quando não têm o que fazer voltam para casa e em casa mesmo quando não temos nada que fazer acabamos sempre por fazer alguma coisa. Mas na rua, de bolsos vazios, o rapaz não tinha nada e a cabeça começava a encher-se de ideias e via coisas que também puxavam novas ideias. Então ele ficava ali podia ser sentado num banco mas naquela tarde deitou-se no meio de um pasto espontâneo. Ficou ali a pensar. Depois virou-se de barriga para baixo e apoiou o queixo sobre os braços e ficou a ver as pessoas que saiam do metro. Reparou numa menina com a cabeça meio escondida num capuz de uma camisola vermelha. Seguiu-a com o olhar. Teve uma primeira impressão agradável em relação à menina e passados alguns segundos, continuando com o olhar preso nela, sentiu que se tinha enganado e teve uma impressão muito diferente da primeira. Pensou para si - "Já não existem capuchinhos vermelhos só lobos maus". Perdeu a vontade de estar ali. Ajeitou a roupa, sacudiu uma ou outra erva e seguiu em direcção a casa.

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