sábado, fevereiro 24, 2007

Alivio-me

Os teus poemas
eles ensurdecem-me
revolvem-me matérias que não sei como existem
e que se fazem sentir só nestes momentos
como uma agressão auto-infligida por cada um dos meus defeitos
- chamemos-lhes defesas do espírito solitário -
porque sim, eu sei: não serás tu a roubar-me de mim
não serás tu a realizar a promessa de acabar
com este consolo miserável de estar só
Sozinho posso sempre virar-me para o lado
e fingir que decidi escolher outra coisa
pois enquanto as promessas são inconfessadas
nenhum rapaz fracassa, e, terá sempre as mentiras
(O que desconhecemos é sempre fantástico
até nos falar da verdade, da sua tristeza)
Sim, eu sou triste mas ao menos tenho isso
Contigo, com as tuas palavras que ensurdecem
tiras-me tudo, obrigas-me a escrever um poema
que é só um reflexo dos teus
um poema para expurgar
um poema para eu me devolver
um poema em que tu não mandas
um poema em que tu não sabes nada
um poema que te diz que não és benvinda
E depois disso eu já consigo ouvir
e de dentro de mim já te soltei
Cá fora és um pum
um somzinho com mau cheiro
que se dissipa no ar, no espaço
e na memória.

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