
Joe Simpatio aos 8 anos gamou um chapéu alto, daqueles de cartola, num café em Nápoles. Era tão grande que se afundava na sua cabeça e ele punha uma toalha à volta do cabelo negro e desgrenhado conseguindo fixar o chapéu acima da vista. Os olhos fechados ficavam pequeninos com os contornos muito graves e definidos das sobrancelhas cerradas, eram duas pequeninas luzes verdes, sempre pequenas mas fáceis de notar, tinha um olhar que parecia um segredo. Raramente alguém olhava Simpatio nos olhos mas quando os viam dificilmente a sua impressão lhes escapava sem causar algum assombro.
Em cima da toalha amarela na sua cabeça ficava o rato Gibli, um roedor demasiado pequeno para as ruas. Nascera pequeno e ficava esquecido entre os seus irmãos enormes, ratos que eram confundidos com as sujas ratazanas que no século XIX partilhavam as ruas de Nápoles com os transeuntes e pregavam bons sustos às crianças e até aos gatos. Mas Gibli era como um pequeno hamster, fiel companheiro de Simpatio que partilhava com ele a comida que conseguia nos estabelecimentos da cidade.
Simpatio era orfão. Odiava a casa onde tinha sido recolhido, a recém formada família Manzarro queria uma companhia para o seu filho único e como Julia Manzarro não conseguia engravidar por causa de complicações com o parto do pequeno Stefano decidiram adoptar uma criança.
Joe Simpatio percebeu cedo que nunca seria acolhido como um verdadeiro Manzarro era mais como um brinquedo com vida para o muito mimado Stefano.
Fugiu de casa, levou a roupa mais escura que tinha e tratou-a sempre com todo o cuidado. Poupava o que tinha e só o tempo e o estômago lhe roubavam a paz.
As pessoas habituaram-se a ver aquele rapazinho de cartola silencioso que não incomodava ninguém, no seu canto falava com um ratinho a quem dava pedacinhos de queijo que guardava num lenço que tinha sempre na algibeira.
Enrico Manzarro às vezes passava por ele na rua e deixava-o estar. Todos o deixavam no seu lugar. Não olhando para as pessoas Joe Simpatio cedo percebeu que estando cada um fechado em si mesmo não conseguia encontrar essa porta que é uma troca de olhares; ninguém se atravessava no seu caminho. Os olhos escondidos de Simpatio eram o seu segredo que só se revelavam quando alguém podia merecer a sua confiança.
Em cima da toalha amarela na sua cabeça ficava o rato Gibli, um roedor demasiado pequeno para as ruas. Nascera pequeno e ficava esquecido entre os seus irmãos enormes, ratos que eram confundidos com as sujas ratazanas que no século XIX partilhavam as ruas de Nápoles com os transeuntes e pregavam bons sustos às crianças e até aos gatos. Mas Gibli era como um pequeno hamster, fiel companheiro de Simpatio que partilhava com ele a comida que conseguia nos estabelecimentos da cidade.
Simpatio era orfão. Odiava a casa onde tinha sido recolhido, a recém formada família Manzarro queria uma companhia para o seu filho único e como Julia Manzarro não conseguia engravidar por causa de complicações com o parto do pequeno Stefano decidiram adoptar uma criança.
Joe Simpatio percebeu cedo que nunca seria acolhido como um verdadeiro Manzarro era mais como um brinquedo com vida para o muito mimado Stefano.
Fugiu de casa, levou a roupa mais escura que tinha e tratou-a sempre com todo o cuidado. Poupava o que tinha e só o tempo e o estômago lhe roubavam a paz.
As pessoas habituaram-se a ver aquele rapazinho de cartola silencioso que não incomodava ninguém, no seu canto falava com um ratinho a quem dava pedacinhos de queijo que guardava num lenço que tinha sempre na algibeira.
Enrico Manzarro às vezes passava por ele na rua e deixava-o estar. Todos o deixavam no seu lugar. Não olhando para as pessoas Joe Simpatio cedo percebeu que estando cada um fechado em si mesmo não conseguia encontrar essa porta que é uma troca de olhares; ninguém se atravessava no seu caminho. Os olhos escondidos de Simpatio eram o seu segredo que só se revelavam quando alguém podia merecer a sua confiança.
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