segunda-feira, outubro 09, 2006

Paixão


A minha paixão arde assim:
como se quisesse sujar-me de ti,
sujar-me todo por fora
de tudo o que puder sair-te de dentro,
como se pudesse emporcalhar
esta imaculada solidão
de um muro sem sombra
onde encosto o ouvido
e te oiço respirar,
do outro lado.

Tijolo sobre tijolo,
vou tirando um a um
com muita paciência,
vou ficando coberto
desta sujidade que se liberta
quando removo tijolos.
No fim lá estás,
recebes-me e abraças-me
e os teus movimentos
seguem e conduzem os meus
e depois já nos misturámos
e já estamos tão sujos
um do outro
que nada é matéria,
tudo é paixão.

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