
Se olham para mim
O que é que vêem?
Se é um homem que vêem
Os vossos olhos exageram
Ou enganam-vos
Mas não se preocupem
Não vou tentar convencer-vos
Que deviam ver uma criança
Por mais encantadora que seja
Essa presença inocente
Agora não é a que me interessa.
Vejam-me entre os dois, no meio.
Um corpo que me deixa mentir
E um ar indelével brotando de dentro
Que esforça umas ideias ambiciosas,
Chegam a desejar ser de verdade.
Agora...
Sou tão bruto enquanto viver
Para os vossos olhos
Para me convencer de frente ao espelho...
Mas, depois, até posso ficar por casa
Sozinho, farto de olhos
Cansado do espelho
Descansado
Envelhecido
Habituando-me à ideia de estar
Como se já tivesse ido
Para o lugar onde já não há olhos
E se cumprem as visões
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