domingo, setembro 17, 2006

Sozinhos

Existe-nos um medo visceral de ficarmos sozinhos. Sozinhos no sentido de 'sós' e não de 'sem ninguém à volta'. Durante toda a nossa vida procuramos a inclusão, a aceitação, a socialização. Os esforços são dirigidos no sentido de encontrar outras pessoas. E sem darmos por isso embrenhamo-nos em múltiplas relações interpessoais. A nossa inteligência intrapessoal está apenas semi-cultivada. Então a ideia, o facto de nos encontrarmos sozinhos é desconcertante. Porquê? Não sei bem, mas quando estamos sozinhos estamos livres. Não somos encaminhados, não temos guidelines. Podemos pensar tudo, estamos à-vontade, e o problema é que a certa altura tudo tem uma ponta de sentido. Não temos ninguém que nos diga "Cala-te, não sejas parvo.". Alargamos os horizontes para o bem e para o mal. Começamos a ser o palco de teorias de conspiração. Ou, por outro lado, de grandes sonhos. Imaginação e real aproximam-se. Crescem a velocidades incríveis arranha-céus medonhamente/fascinantemente vertiginosos. O conforto do comum fica esfocado lá em baixo. Somos nós que temos que pegar em nós e aprender a viver lá em cima, para depois deixarmos alguém subir. Como qualquer outra mudança, requer adaptação.
Saber estar sozinho é saber estar connosco. Sermos o nosso melhor amigo requer alguma aprendizagem, um arregaçar de mangas, e saber que para estarmos bem com os outros temos que estar bem connosco.

1 comentário:

Diogo Vaz Pinto disse...

muito bem escrito pá!