sexta-feira, setembro 08, 2006

O grande salto


É curioso que a maioria das pessoas aceitem que a melhor fase da vida vem no período pouco antes e logo a seguir à maioridade, a juventude. É uma idade em que deixámos de ser adolescentes e começamos a fazer escolhas que refletem uma suposta independência. No fundo todos os jovens sentem que sabem pouco ou nada sobre a vida mas têm facilidade em confundir esse sentimento com uma prepotente ideia de que estão preparados para tudo... Parece certo que por vezes a ignorância leva a uma grande falta de respeito pelo que é desconhecido e portanto imprevisível mas é neste momento em que as capacidades intelectuais se expandiram que muitos jovens conhecem um grande amigo, o álcool...
Como eu acho piada à vida vivida ao calhas dos jovens de hoje... Vivem a semana inteira num estado de sonambulismo e de repente quando chega a oportunidade de sair acordam, arranjam-se, preparam-se para o bulício da noite e embarcam nesse apagamento da bebedeira que permite menos hesitações e inibições e mais acção sem muito cálculo... Assim passam-se os anos gloriosos entre uma vida de letargia e momentos de extravagâncias executadas em parceria com os químicos que trazem solução a todos os problemas de incapacidade...
Ora vejamos - há, como todos sabem, um trato social quando se sai à noite em que todos acordam tácitamente que não há qualquer vergonha ou repúdio dos comportamentos de imbecilidade porque estes são induzidos pela atmosfera do arrebentamento dos sentidos, assim não interessam as conversas inteligentes nem o aproveitamento dos momentos o que interessa é que a mente esteja tão fodida que não possa distinguir entre uma noite de merda em que não se fez absolutamente nada de jeito e uma noite espectacular em que o corpo rodopiou numa sala ao som de uma música que se esbatia com força por dentro de cada um ao mesmo tempo que se chegava mais perto de muita gente e não se tocava ninguém a não ser exteriormente... Bebeu, drogou-se, dançou, curtiu, comeu, fodeu... Chegou a casa numa lástima deitou-se e acordou (depois de uns sonhos marados) no dia seguinte sem conseguir localizar o norte ou o sul nem com uma bússola...
Seguem-se anos de insistênsia, mesmo quando já não há mais nada para tirar lá debaixo, desse poço, e um dia arranjam um emprego ao calhas, casam com uma mulher ao calhas, têm filhos ao calhas e levam uma vida que calhou ser uma merda e um dia perguntam-se - "como foi que a minha vida deu nisto?"

Não vale a pena insistir nisto... Os que sabem do que estou a falar não precisam de ler estas coisas e os que não sabem não entendem ou porque não podem ou porque não querem... Mas tanto para uns como para outros deixo aqui um vídeo com mais um excesso.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gosto imenso daquilo que escreves.. e das imagens k escolhes, são sempre lindíssimas =) continua.. ****