terça-feira, setembro 19, 2006

O Dictador e o Imperio


A palavra Imperio vem do Latim, como a maior a parte das palavras do Portugues, do Espanhol, do Italiano e do Françes, linguas latinas, e tambem muitas palavras de muitas outras linguas como o Ingles.
É o Fenomeno da Romanizaçao ainda patente, na sua vertente linguistica.
Mas embora muitas pessoas associem Imperio unicamente à sua concepçao e significado actual, Imperio, que provem dos tempos da Monarquia Romana, e da Republica, tinha um significado distinto.
Imperio significava Poder, o Poder de Governar, de Dictar, de Condenar, de Comandar. En sentido amplo, Imperio é Poder, poder para fazer tudo o que o homem pode conceber. Imperio era a faculdade eterna de subjugar e orientar outros homens, era a plenitude politica.
Numa primeira etapa o Imperio era faculdade do Rei, mas com a evoluçao politica que desembocaria na Res Publica (Coisa Publica), mistura entre governo Democratico, Timocratico e Aristocratico, o Imperio foi transferido a três Magistraturas Republicanas: o Consul, o Pretor e o Dictador.
O Consul e o Pretor eram magistraturas ordinarias, tendo o primeiro a suprema direcçao politica e militar de Roma e suas provincias e o segundo a faculdade de ditar Direito (a Iurisdictio). O primeiro tinha um Imperio, obviamente, maior do que o segundo, sendo a mais importante das magistratura de Roma, mas ainda assim só era eleito por um ano e era um cargo colegiado, querendo isto dizer que o Consulado era composto por dois Consuls que se controlavam e limitavam mutuamente.
Mas o verdadeiro herdeiro do Imperio supremo, ou seja, do Poder, em Roma, era a figura do Dictator, o mais parecido ao extinto Rex. O Dictador era uma magistratura Extraordinaria porque só aparecia em tempos de crise, sendo nomeado e investido pelos altos poderes de Roma por um periodo nao superior a seis meses.
O Dictador era responsavel por Roma, de forma absoluta. Era o seu guardiao, investido com todos os poderes, era a personificaçao do Imperio. Nao era uma figura nefasta, como hoje e vista, mas sim um Defensor do Povo, nao apenas da plebe, do povo!, um defensor da Naçao.
Para grandes poderes, grandes responsabilidades. Hoje em dia pensamos em Hitler e em Mussolini, ou Stalin e Franco, para nao falar de Noriega ou Pinochet, e condenamos imediatamente a figura do Dictador. Em Roma tambem tiveram os seus Dictadores brutais como Sila(ultimo Dictador que respondia aos moldes tradicionais da Dictadura mas que exerceu um poder arbitrario e tentou apropiar-se do poder perpetuo obrigando a Roma a extinguir a Magistratura) ou os Imperadores (novo nome com que batizaram a figura ex-republicana, agora de duraçao ilimitada) Nero e Caligula. Mas em Roma governaram tambem Caio Julio Cesar, defensor de Roma assassinado por miseraveis traidores em pleno Senado, ou Octavio Augustus, o eleito pelos Deuses, responsavel pela regeneraçao e pela integridade do Imperio apos os conturbados tempos que se seguiram à morte de Cesar. Augustus e Caesar dedicaram as suas vidas a Roma e defenderam-na dos seus inimigos e eram admirados e amados pelo povo e, sem Caesar e, principalmente, sem Augustus, talvez Roma nao tivesse durado tantos seculos mais e o Imperio Romano nao tivesse existido como nós o conhecemos.
Um exemplo mais recente de um grande Dictador,nao tao conhecido como Caio Julio Cesar (que da nome ao mes de Julho) ou como Octavio Augusto (que da nome ao mes de Agosto), é o exemplo de Getulio Vargas, no Brasil, que deu a sua vida, e depois a sua morte, pelo povo brasileiro. Quando Vargas morreu, o mundo assitiu a uma inaudita manifestaça colectiva de tristeza, com milhares de pessoas dirigindo-se em procissao ao seu enterro imersos em pranto e agonia profundos e indeletaveis, lamentando a morte do seu Guardiao. Tambem Peron em Argentina foi um grande homem e um grande Dictador, empenhado numa luta contra os inimigos de Argentina e sempre disposto a defender os interesses do povo. Noutra parte do mundo, e noutra epoca, o Shogun Tokugawa, após sair vencedor de umé longa disputa pelo controle do Japao com outros senhores feudais, unificou o pais dividido e lastimado pela guerra e liderou o pais do Sol Nascente a um longo periodo de gloria e prosperidade apoiado pela classe guerreira e governando em nome do Imperador.
O Imperio do Dictador é absoluto, o que o transforma em um Colosso, uma personagem semi-divina. O Dictador é o Defensor do Povo, e está vinculado pela obrigaçao de protege-lo. Como o Cavaleiro, o Dictador tem um grande poder e esse poder pode ser utilizado para o Bem ou para o Mal. Deixo aqui esta homenagem aos grandes dictadores, exemplos perpetuos de dedicaçao e compromisso com os fracos e oprimidos e declaro o meu desprezo em relaçao aos maus dictadores, demasiado débeis ou de natureza maligna, incapazes de utilizar um poder tao solene para cumprir os designios do Imperio.

Sem comentários: