quinta-feira, setembro 21, 2006

A mentira encenada e a constante traição


Alguém me devia ter avisado logo que nasci que os sonhos são para se viverem de noite, com os olhos fechados e sempre... sozinho. Bem, acho que se pode considerar esta parte solitária - já ouvi dizer que duas pessoas em certa ocasião sonharam o mesmo sonho, o que não quer dizer que ao acordar se tenham lembrado do que haviam sonhado ou mesmo que sequer tenham falado sobre esse sonho e tenham percebido alguma ligação...
O que interessa é que mais uma vez me sinto enredado numa teia de aranhas, perdido num ninho de cobras, a afogar-me num rio de piranhas... São as pessoinhas, a gentinha, o mundo dos pequeninos, os liliputianos e eu sinto-me um Guliver parvo, tentando agradar, conquistar, comover, interessar... Não vale a pena sonhar com os olhos abertos, não é possível!
Vamos acabar por aprender à força do azedume, da amargura, do desgosto, da frustração da vontade e do ânimo; podemos ser mais resistentes e isso apenas prolonga a ilusão e o sofrimento por étapas... No fim 'eles' ganham...
Os 'eles' aqui têm todos um nome, estão muito bem identificados e se lessem estas linhas 'eles' percebiam logo que isto é para 'eles'.
Fácilmente podem dizer que eu estou enganado, eu estou a tentar uma coisa sem cabimento e a questão é que não é que não haja cabimento para o que me faz mover mas se essa coisa cabesse nesse lugar então eles súbitamente ver-se-iam diminuídos, pequenos.

Soube de uma aldeia onde no século XVIII havia uma família numerosa em que todos (homens e mulheres) mediam quase 2 metros... Aquela família era simpática mas como todas as outras pessoas de quaisquer outras famílias também por vezes se zangavam e também tinham as suas disputas com outras famílias... Apesar desta família ser algo numerosa as pessoas das outras famílias todas eram muito mais na aldeia e sentiam-se incomodadas com aqueles gigantes (na altura como sabem as pessoas eram mais baixas do que hoje em dia, nesses tempos uma pessoa de 2 metros era mesmo um gigante) e conseguiram reunir-se e acabaram por decidir que a família gigante era um perigo para a paz na aldeia e que alguma coisa tinha que ser feita para acabar com o receio geral para com aquelas pessoas tão grandes...
Decidiram amputar-lhes as pernas a partir dos joelhos. Assim ficariam todos ao mesmo nível... Não houve logo coragem para levar o plano em frente mas isso acabou realmente acontecendo e enquanto alguns grandes passaram a deslocar-se sobre os cotos outros mudaram-se e abandoram a aldeia...
E a paz dos pequeninos voltou.

Não há forma de se chegar a algum lado quando tudo está a ser nivelado por baixo para permitir uma participação de todas as gentes; não se chega a lado nenhum mas anda tudo muito ocupadinho com as suas coisinhas e a paz é próspera enquanto a grandiosidade de uns não se afirma sobre a pequenez dos outros.

1 comentário:

Arrebenta disse...

Bo "post" para o "Braganza"...