sábado, setembro 23, 2006

A lógica do castigo


Na vida estamos habituados a reagir às coisas por impulsos.
Em crianças sempre que fazíamos alguma coisa que não era suposto éramos castigados - aquela coisa especial era-nos vedada, fechavam-nos num canto onde não podíamos brincar com as nossas coisas, tínhamos que ir para a cama mais cedo, muitas vezes levávamos um estalo ou apanhávamos com o cinto ou com a colher de pau que foram tantas quantas as moles que se partiram contra o rabo mais uma ou outra que resistiram...
Os impulsos são as vontades e os pequenos apetites, que nos levam a agir, a fazer opções, a preferir isto àquilo, e o castigo era sempre a solução e continua a ser a solução para nos orientar amolgando o nosso comportamento a limites estáveis no nosso ambiente familiar e social.
Com o avançar da idade, mais tarde ou mais cedo, há, no entanto, um tipo de situações em que o castigo cai no desuso justamente quando mais é necessário para orientar o nosso espaço - estou a pensar nas ralações de amor... Quando estas começam e quando o que se sente é tão forte que é difícil de aplacar, acontece que muitas vezes não castigamos nem somos castigados quando o castigo era mais devido simplesmente porque nestes casos acontece que quando uma das pessoas castiga a outra castiga-se a si mesma, às vezes custa até mais castigar do que ser castigado...
As relações amorosas são tão violentas, estúpidas e precipitadas como é imensa a nossa falta de serenidade, experiência e esperteza; a verdade é que acabamos por não confiar quando devíamos nos milagres do castigo e sem essa orientação o amor ou paixão torna-se uma criança estúpida, mimada e muito rude e mal educada.
As palavras-chave neste caso são - domínio, sacrifício, objectivismo, confiança, amor-próprio, perseverança...

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