quinta-feira, setembro 07, 2006

Concordância


Por vezes não há outro lugar onde valha a pena estarmos, só interessam aquelas prateleiras tão cheias, tão pesadas por estarem incompreendidas, intocadas, as páginas ainda brancas por serem manchadas, ainda por ganharem marcas de passagem e atenção, ainda por sentirem os dedos passar por elas, os olhos mais em cima, contracções, distracções, pausas e regressos...
A sorte na escolha certa, não definitiva mas momentânea, chega-nos, calha-nos e é o suficiente para tudo ganhar em horas um tal significado e envolvimento nosso com o que já estava escrito...

Ocorre-me que ninguém procura a diferença, simplesmente uma forma diferente de igualdade... E tudo e todos não queremos a multi-(di)versão da realidade mas antes a supressão das variedades a um mesmo motivo comum, a um mesmo caminho de encontro entre todos os espíritos - e o que nos agrada não é o que nos causa surpresa pura mas uma surpresa que realiza sentimentos já nossos mas ainda não formulados...
Essa procura continua e essse bendito lugar está cheio de livros de autores que se dedicaram mais a uma das coisas que também nós já sabíamos e não estamos a descobri-la nem a inventá-la, estamos a concordar sobre ela.

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