
Definham horas só preenchidas
Por imensas palavras mudas,
Que eu grito mil vezes
E que alguém só ouve
Quando eu, já afónica,
Não posso mais explicar
O que pretendia dizer
A todas as pessoas,
E, em especial, a ti.
E ressoa mais mil vezes,
Cansando esse sentimento meu
Que eu queria dar-te de presente,
Nessa ausência tua,
Um pouco fria e, ainda assim, doce.
Obrigada a ganhar novo fôlego.
Sinto que tudo isto, este espaço
Que se estende entre aqui e aí,
É só um lapso no contentamento
Que corre nas artérias e veias
Da vida que eu vivo em ideias.
de Ana Margarida para Nuno Protásio
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