
Era de noite e estava sem ela... Mas fiquei porque me lembrei logo de uma outra noite bem parecida com aquela onde então sim a tinha...
A roupa tão confortável sobre o corpo, a temperatura doce como se o frio e o calor fossem invenções que ainda estavam por serem feitas, era aquele clima doce que se faz notar apenas por perfeito que é, de resto era o ar que me embalava mais nesse encanto, entrava-me direito pelo nariz e seguia o seu caminho sem se interromper até aos pulmões... Devia tocar-lhes cariciosamente porque eu tinha a sensação de estar a ser animado por todas as boas sensações, os sentidos calmos mas tão despertos como nunca antes os sentira e depois de caminharmos um pouco e de deixarmos todas as luzes para trás quem se dava agora toda para nós era a lua muito rasgada ainda no ínicio do seu quarto crescente. Apesar da sua luz as estrelas também se amontoavam e criavam aquele espaço que lembra as possibilidades de uma distância infinita entre nós e o que há de maior e mais belo...
Era uma inspiração aquele quadro.
Tínhamos chegado ali por meio de conversa tola, palavras perdidas ali para não voltarem a ser lembradas, nada saiu com esforço, nada tinha alguma importância, a importância era do momento...
Baixei sobre o chão e encontrei logo uma posição fácil de se deixar por muito tempo, poderia ficar ali assim sentado e até dormir... Deixei-a uns passos atrás e ela aproximou-se olhando e vendo que eu a olhava por isso fez um movimento estranho, uma meia dança tola, e riu-se e fez-me rir, mas só queria tomar balanço para me chegar e eu fiz-lhe a vontade... Puxei com cuidado e desci-a sobre mim, ficou deitada no meu colo e podia ver tudo para cima, e eu vi-a entre o que estava em baixo, o que estava ao meu nível e o que ela via... Nos olhos dela via esse reflexo e então quis dizer alguma coisa bonita...
Contei-lhe a história de uma constelação... Fingi saber o que dizia mas não sabia nada, o que disse veio-me naquele momento e se quisesse repetir não saberia como fazê-lo mas naquela hora chegou perfeito... A oportunidade entusiasmou-a a ela e a mim por consequência, dei-lhe um nome bonito e fechámos aquilo a olhar para cima...
Torci-me e encaixei nela ficámos por um pouco e depois regressaríamos... Mas esta noite que era e em que eu estava sem ela bastou-me esta pequena perfeita memória que eu reproduzi no pensamento uma e outra vez, desejei-a tanto mas foi-se embora e não tem mal... Talvez volte.
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