segunda-feira, julho 24, 2006

I walk alone



Antes de chegar a minha vez na oral senti o peso da perturbação intestinal... Se estivesse noutro lugar que não aquele sentiria nisto uma bênção, afinal tinha ali muita substância a pregar-me o intestino e se as condições fossem as mais confortáveis poderia ter tirado dali um gozo daqueles que só reconhecemos nos prazeres divinais da vida...
Como convém a desconfiança desse comedor de trampa onde todos os doutores de direito vão arrear tive que preparar o meu trono e enchi-o de cobertura para acomodar este olho real de onde tanto saí mas esperemos nunca venha alguma coisa a dar entrada... Não o afirmo com certeza porque a vida prega partidas nas nossas ideias asseguradas de convicção... Afinal eu sou bem gajo para um dia ir passar uns tempos à cadeia e lá este buraquinho apertado vale ouro...
Fiz o que tinha a fazer, limpei-o e fui para a minha prova que correu mal... Mas Deus é grande e não me deixou ficar triste por isso saí de lá com o que fui buscar...
O cansaço esgotava e não queria pegar o abuso das horas que agora o tempo anda a dar ao calor e por isso esperei uma hora no local mais sagrado da imensa casa direita... O número 1... Sentei-me ao acaso no meu número e isso não me surpreendeu, afinal percebo rápido o meu lugar mesmo que o perca de vista... Mas depois pus-me a pensar que o gajo que é casado com a Odete Santos deve sonhar com as gajas que fazem do cinco contra um ou a apanha do mexilhão (entre outras especialidades como o delicado beijinho que pode deixar esfrolho o zé do homem que não é preto, ou também para os mais aventureiros o jogo do tapa essas foças, uma com sabor a ranço e a outra com sabor a chocolate africano) um modo de vida nas ruas de Lisboa e pelos seus serviços cobram módicas quantias para manterem sãos esses corpitos que são verdadeiros serviços públicos... Mas perdi-me...
Ahh ok... Bem então sonhando fui sentar-me na cadeira do dominus patronos em cima do palco e depois de o lugar ter perdido o interesse da novidade deu-me para sentir a bicha das decorações a indignar-se dentro de mim... Era um local demasiado triste, uma autêntica slaughter-house académica... Pus-me então a dar cor ao lugar, passei de um lado para o outro e deitei enfeites, mas também não tinha muitas cores à mão... Dei-lhe com os verdes a misturar com amarelo e castanho... No fim sinto que fiz um serviço pelos meus companheiros que vão ter agora mais com que se preocupar do que apenas as normas e a doutrina...
Foi assim a minha tarde, como um comum ser entorpecido pelos ditames da compreensão e fé na sociedade séria... Andei por ali sozinho e esperei o carro que me leva de volta para casa depois de mais um dia em que andei sozinho...

“Os nossos passatempos são o meio que encontramos para estabelecer a paz com a nossa inteligência... Quanto maior é a inteligência mais difícil fica cerceá-la e então acaba-se a docilidade e a pessoa passa a um comportamento que ironicamente nos re-aproxima dos animais – a agressividade.” – Lad Gilbert

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