
"Pobretanas, todos para o IKEA"
Em poucos estabelecimentos deste nosso Portugal somos tão mal atendidos como no IKEA de Alfragide. Chego a pensar se não tratarão os clientes como lixo de propósito, uma espécie de política interna da empresa que permeia os empregados, os processos e os métodos de fazer negócio que melhor consigam lixar os compradores.Se esta política existe, estão todos de parabéns, a começar pela administração, passando pelos directores, e a acabar nos empregados de caixa: não é nada fácil criar uma cultura empresarial que consiga foder o juízo aos clientes com a mestria que o IKEA alcançou. As burocracias sem nexo, a má-educação dos funcionários, a lógica do "o cliente nunca tem razão e tem é de estar caladinho" são mais do que suficientes para se sair de lá com vontade de partir tudo (o que até poderá explicar o incrível volume de artigos defeituosos que existe neste espaço comercial). E reparem que já nem falo do facto de ser o cliente a montar os móveis, o aspecto claramente menos mau de todo este martírio.Só não compreendo porque raio há-de uma empresa conspirar para tornar a vida dos clientes num inferno. Mas a estratégia empresarial tem razões que a razão desconhece e nós, os fodidos, não nos devemos deitar a adivinhar. Quem sabe, talvez a administração seja composta por espanhóis que pretendem obrigar os clientes a ir a Madrid comprar prateleiras? Ou então, tudo não passa de uma maquinação das elites nacionais, para fazer o povão sofrer a bem sofrer. "Ai queres adquirir um sofá-cama aparentemente tão jeitoso como o meu, mas por 1/3 do preço? Não penses que é chegar e comprar, seu pé-rapado! Espera aí que já te lixas!".O que eu sei é que o IKEA constitui uma excelente metáfora do monstro capitalista: a classe média-baixa, que não tem dinheiro para comprar mobiliário em lojas decentes, tem de sofrer um humilhante calvário para ter a casa com um aspecto minimamente moderno. O Xico Louçã que deixe de berrar pelo aborto e faça uma manif em Alfragide, pelo tratamento condigno dos pobres no seu direito inalienável de adquirir estantes com o mínimo de gosto e a baixos preços. Vai ver que tem muito mais adesão e poderá atirar à cara do Paulo Portas, no próximo debate, frases como "O senhor não sabe o que é comprar um toalheiro no Ikea. Eu comprei um. Sei o que é um sorriso de toalheiro" sem correr o risco de parecer fascizóide. Enquanto isto não acontecer – e eu não for aumentado - poder-me-ão encontrar na mítica Moviflor do Largo da Graça ou em Paços de Ferreira, pois prefiro ter uma casa foleira a ter de pagar uma indemnização por acertar com um cabide de pé alto na cabeça de um caixa em Afragide.
Victor Lazlo
www.frangosparafora.blogspot.com
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