sexta-feira, julho 21, 2006

Ensandecido

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Tenho o sabor amargo na língua já deixado nas horas agora chega-me ao peito e eu gostava de não saber porquê... Custa-me pensar que tanta confiança se lava como tinta das mãos, escrevendo e dizendo, arriscas, metes o teu nome e bates, ris, mordes, achas tudo fácil... E eis senão quando ouves o tal ruído a vir de fundo, primeiro a rizadinha, a mosquinha, chata lá atrás, às vezes cá à frente começa a dar-te voltas e tu sentes qualquer coisa... Primeiro dissipa-se mas volta, depois outra vez parece ir embora e andas um tempo nisto mas acabas por perceber... Tá quase, tá quase, quase e pim... Caíste, caí... Ainda durei uns tempos por ali, ainda me cocei a rir algumas vezes até que a coceira coçada deu uma coça, fui acossado, fez ferida, borbulha, borbulha primeiro e depois ferida... Não é muito sangue, nem chorei, nem me dói assim tanto mas que interessa isso se acalmei, se baixou a tristeza e agora vou ter que levantar os pés a comandos mentais como se voltasse a ser criança e para ir daqui para ali precisasse de aprender a andar de novo... Na cama, na cama curam-se estas dores todas, mais dores ainda curam-se num corpo de amor... Vou para lá, vens me buscar finalmente, acaba-se o dia e eu não tenho coragem de pedir desculpa mas peço, peço mil desculpas... Voltei àquilo outra vez, não quero voltar a isso mas não sei parece que me acontece por estupidez...
Há horas vagas na vida de todas as pessoas, algumas pessoas ocupam-nas imediatamente, às vezes eu também, outras vezes não e depois acabo por ser obrigado a pedir desculpa e volta tudo ao ínicio e eu prometo não ser parvo outra vez mas já foi, foi... Não o tragas de volta até mim.

O Pobre Ensandecido

ao meu agressor (e auxiliar de consciência J.M.)
e à minha salvadora que está atrasada mas há-de chegar


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