segunda-feira, julho 24, 2006

E ser mal amado... Não mata?



Disse certa vez o Cobain - "I'd rather be hated for who I am than loved for who I'm not."

É claro que o meu espírito se revê nesta frase, é claro que sinto a vibração dessa coragem mas há mais... É duro estar-se em pé e defender alguma coisa que sentimos quando o sentimos contra outros. Se o sentimos contra outros podemos levar com eles em cima e até pode ser que demore mas acabamos por cair... Agente sempre cai. É fácil, tão fácil estar de acordo, não dizer que não ao que nos parece mal porque toda a gente parece ver nisso problema nenhum... Mas e nós somos o quê? Eu sei desta tormenta um pouco e pergunto-me: "E ser mal amado... Não mata?"

Ser mal amado é meio caminho andado para se entender o que faz uma pessoa popular, a outra metade do caminho é a parte mais díficil... Submeter-mo-nos ao que os outros querem de nós e facilitar a nossa vida de tal forma que não tenhamos que aguentar agressões vindas dos outros... Assim estarmos felizes não parece tão díficil, basta um pouco de sorte...
Mas e a vida não é uma relação, e as relações não produzem mais efeitos na via da oposição? Talvez não, talvez se formos sempre de tolerar as mil opiniões talvez então tenhamos mais ouvido porque mais bocas se atiram a ele... No fundo toda a gente apenas se quer fazer ouvir... Então se calhar eu vou calar-me porque toda a gente está a falar... Então se calhar eu vou ser um dos poucos a ouvir e vou ter tantas propostas dos mil que querem ser ouvidos... E talvez a partir de hoje para ser amado possa bastar-me de palavras como sim e pois e claro e tens razão...
Não vale assim tanto a pena vender o esforço dos pulmões quando posso fingir o esforço dos ouvidos e cantar na minha cabeça canções mais bonitas...
Não estou é para dar de mim aos outros porque se ofendem tanto e eu que sou só um a mais torno-me um mal amado a mais e talvez um dia morra assim sentido com todos os insultos que ouvi nos tempos em que ainda falava...

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