Tenho escrito menos destes meus textículos e a verdade é que se não me forçar a eles acabo por não os escrever porque a ideia em si vale quase nada e até me cansa. No outro dia achei muito interessante quando li o seguinte comentário do António Lobo Antunes:
"Tenho uma certa desconfiança em relação à palavra pensar. Quando se está a escrever, podemos pensar enquanto indivíduo. mas enquanto escritor... Sempre me fez confusão as pessoas que dizem: "tenho um livro na cabeça só me falta escrever"
e esta também
"É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros."
Realmente pensar e escrever são duas coisas muito diferentes, acontece muitas vezes que chegam mesmo a ser coisas contrárias. Pensar a mim enfastia-me, deixa-me às portas de tudo e não me faz entrar em nada... Mas escrever já nos lança para alguns lugares estranhos onde a nossa cabeça desgovernada nunca nos levaria, escrever tem disciplina e talvez por isso mesmo contrarie a nossa tendência natural para nos perdermos. Sim porque na luta que se passa dentro da nossa cabeça entre a capacidade inteligente da concentração e a força que nos puxa para a dispersão, acabamos sempre por nos perder e não saber muito bem onde fica a nossa casa - isto faz-me vir à ideia a imagem de alguém que está hospedado num hotel chamado 'tédio' e não sabe quando vai sair dali nem sabe muito bem o que faz ali. Já a escrita que é coisa da mão é muito mais capaz de nos levar para o sítio que é a nossa casa, como um daqueles cães treinados para guiarem os ceguinhos, a nossa mão leva-nos à única casa que pode ser nossa, aquela onde nos espera a família, os amigos e a alegria de fazer parte de qualquer coisa. Os pensamentos que surgem só de pensar são como o ar que não se vê, não se toca e embora se respire e seja essencial não nos diz nada porque já nem damos por ele nem quando entra nem quando sai e a verdade é que podemos perder algum tempo à volta disso mas pensar não é nada, é automático, não nos distingue nem é condição de privilégio, só nos diz que estamos vivos e que isso pode ser bom como pode ser mau.
A coisa mais fácil que se pode realizar a seguir a pensar é escrever porque falar é só pensar em voz alta, é dar palavras que dificilmente alguém haveria de querer comprar. Escrever imobiliza um pensamento, permite-lhe uma vida própria, distante da nossa, dá-lhe a possibilidade de ser feliz por ele mesmo. Isso é mágico.
Imagino o prazer que deve sentir um grande escritor quando depois de ter trabalhado umas ideias vê reconhecida a felicidade dos seus pensamentos... Deve ser magnífico, por um minuto muito fugaz, ainda assim, tem que ser magnífico. Fico com vontade de ser escritor...
Mas escrever é disciplina e nós não podemos parar como um texto, temos que continuar a viver e a sofrer para alimentar novos pensamentos e por isso, com pequenas pausas para apontar umas palavras, o tempo sempre nos consome e a felicidade de um pensamento bem escrito nunca será nossa.
"Tenho uma certa desconfiança em relação à palavra pensar. Quando se está a escrever, podemos pensar enquanto indivíduo. mas enquanto escritor... Sempre me fez confusão as pessoas que dizem: "tenho um livro na cabeça só me falta escrever"
e esta também
"É a mão que escreve. A nossa mão é mais inteligente do que nós. Não é o autor que tem de ser inteligente, é a obra. O autor não escreve tão bem quanto os livros."
Realmente pensar e escrever são duas coisas muito diferentes, acontece muitas vezes que chegam mesmo a ser coisas contrárias. Pensar a mim enfastia-me, deixa-me às portas de tudo e não me faz entrar em nada... Mas escrever já nos lança para alguns lugares estranhos onde a nossa cabeça desgovernada nunca nos levaria, escrever tem disciplina e talvez por isso mesmo contrarie a nossa tendência natural para nos perdermos. Sim porque na luta que se passa dentro da nossa cabeça entre a capacidade inteligente da concentração e a força que nos puxa para a dispersão, acabamos sempre por nos perder e não saber muito bem onde fica a nossa casa - isto faz-me vir à ideia a imagem de alguém que está hospedado num hotel chamado 'tédio' e não sabe quando vai sair dali nem sabe muito bem o que faz ali. Já a escrita que é coisa da mão é muito mais capaz de nos levar para o sítio que é a nossa casa, como um daqueles cães treinados para guiarem os ceguinhos, a nossa mão leva-nos à única casa que pode ser nossa, aquela onde nos espera a família, os amigos e a alegria de fazer parte de qualquer coisa. Os pensamentos que surgem só de pensar são como o ar que não se vê, não se toca e embora se respire e seja essencial não nos diz nada porque já nem damos por ele nem quando entra nem quando sai e a verdade é que podemos perder algum tempo à volta disso mas pensar não é nada, é automático, não nos distingue nem é condição de privilégio, só nos diz que estamos vivos e que isso pode ser bom como pode ser mau.
A coisa mais fácil que se pode realizar a seguir a pensar é escrever porque falar é só pensar em voz alta, é dar palavras que dificilmente alguém haveria de querer comprar. Escrever imobiliza um pensamento, permite-lhe uma vida própria, distante da nossa, dá-lhe a possibilidade de ser feliz por ele mesmo. Isso é mágico.
Imagino o prazer que deve sentir um grande escritor quando depois de ter trabalhado umas ideias vê reconhecida a felicidade dos seus pensamentos... Deve ser magnífico, por um minuto muito fugaz, ainda assim, tem que ser magnífico. Fico com vontade de ser escritor...
Mas escrever é disciplina e nós não podemos parar como um texto, temos que continuar a viver e a sofrer para alimentar novos pensamentos e por isso, com pequenas pausas para apontar umas palavras, o tempo sempre nos consome e a felicidade de um pensamento bem escrito nunca será nossa.
1 comentário:
Podes considerar-te feliz com este post.
Sabes que eu nunca tinha percebido muito bem isso, de ser a mão que escreve um livro? E afinal é uma maneira diferente de dizer que escrever é segurar e organizar as ideias esfumadas, breves e fugitivas.
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