quarta-feira, janeiro 11, 2017


Dejame contemplarte todavía,
mientras mis ojos cambian de función
convertiéndose en música azulada.

Juan Eduardo Cirlot

Nunca toquei nada do que foste,
aprendi a guardar um triste encanto,
sereno, constante. Apurar detalhes,
a repetida imagem do cabelo,
levando de noite e com muito veneno
o teu corpo à boca, bem escolhidas
as palavras, como uma fonte
onde molho as mãos cada vez
mais distantes. A luz
de tanto ter-te olhado, produziu
a sua aurora meio devorada,
outro horário, e hoje mal reparo
se passas, algo já não serve
porque a tua ausência
se me tornou
mais necessária, querida –
uma rosa minha como trono
perpétuo, como terra interior.

Ultrapassaste aquele horizonte morto,
e do outro lado a tua vida tem
um certo ar desnecessário.


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