terça-feira, novembro 17, 2015


que é preciso, mas não basta, deixar solta a rédea do cavalo que se alucina, que sombra súbito e flecha como um arrepio a passar, fino assobio de desvairar paisagens, desembainha a vista, é isto, prados, vastos entardeceres, guarda uma bala na câmara para ti, e faroeste com as outras, se fazes melhor, que esperas, na era dos milagres furiosos da ciência, estava tudo à espera, diziam, dizias, cabe ao poeta vir com os seus perdulários instrumentos de navegação, as suas poções borbulhantes, a mala de cartão toda chutada, cheia de placebos, pífaros e cristais, suas caixas de ecos insanos, soldadinhos de chumbo e mais hospícios de caixa de música, flores arqueológicas, velhas bobines, o seu comboiinho de mastigar insónias (e o texto, também ele, movido a vapor), ele vir, apertar mãos, olhar à volta como um ser entendido, malandro como os grandes profissionais, pôr um incenso a gargarejar o ar, e arquitectar os passos seguintes, puxar do saco a última das suas, a máquina inspirada de radiografia, bruto engenho no espírito das renováveis, fritando moscas como à porta de qualquer estabelecimento que se preze, à sua eléctrica de nojos ir ganhar balanço, e pôr-se depois a espiar os anjos por trás da cortina nas poses mais... era preciso ver, um cabaret todo podre metido numa rua desviada dos anos vinte, como um programa de televisão daqueles do início, quando tudo era de um aprumo saloio, festivo, parecia improviso, mas prometia, que as coisas que perdemos caem para trás do móvel do tempo e são-nos devolvidas lá à frente numas mudanças com uma graça estúpida que nos comove

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