sábado, agosto 31, 2013

Mundo, pôrra!


para o David

Que queres que te diga? Não estamos
velhos, se isso te consola, mas também
já soa mais a conversa. Uns passos fora
e as paisagens já nos arreganham os dentes.
Entre fósforos apagados e calcanhares
de aquiles, eriçaram-se flores
na carcaça do animal que nos ia
levar daqui. Baixou uma névoa não sei
de onde, e ando há semanas fodido
com os correios que já não asseguram
serviço de e para Pasárgada.
Ouve o que te digo: esta coisa da
realidade está a meter água por todos
os lados e quem não se mandar agora
já não sai. Qual poesia, qual caralho!
Depois de bater tudo, de ver os magrelas
dos cães a guerrearem por côdeas
entre os sacos de lixo da morte, o que
te digo é: nem faças as malas! Onde quer
que a gente venha a fincar a bandeira
dos ossos, o passado só irá atrapalhar.

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