quinta-feira, março 08, 2012

TRABALHOS DO POETA

[1949]


V

Ofego, adejo xaroposo. Bocejo, vozeio, bradando pelos descampados. Vai gozando. Desta vez esvazio-te a pança, torço-te, viro-te e volto-te de boca para baixo, arrebento-te a boca, estrafego-te o focinho, arranco-te o pinto, esmago-te o esterno. Broncabroncabrão. Doña campamocha come em escamocho o membro mocho de don campamocho. Tli, saltarelo coxo, baila à minha frente. Nenhum à vista. Todos de mil maneiras, todos usando alcunhas imundas, todos e um: Nenhum. Afundo-te em nada, afundo-te no vazio que te funda. Tamboreia a traqueia aqueia. O carrascoloso raspa a crosta da caspa. Doña campamocha atasca-se, tarasca. O sinuoso, assobiando e babando-se no poço com togo o gosto. No poço de cinzas. O porco-espinho eriça-se, eriça-se e anela-se num sorriso. Sopa de sapos, armadilha fedorenta, todas a uma, bola de sílabas esfregando-se, bola de gargalho, bola de vísceras de sílabas sibilas, badalo, surdo badalo. Ofego, neste pêndulo destrambelhado, ofego.

- Octavio Paz
in Águila o sol?

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