-«A poesia não é um juízo nem uma interpretação da existência humana», disse Octavio Paz, e nesse sentido não pode aspirar a ser veículo de nenhuma moral, de nenhuma consciência de classe. A sua amoralidade funda-se na realidade ser utilizada como vida sentimental interior, material de trabalho. A miséria social dos homens pode ser reflectida nela e suscitar a crença de que por ela é transformada. Mas os poemas não lutam, «lutam os homens que os lêem». Opor a um mundo corrompido pela injustiça «a poesia, o amor e a liberdade» parecerá a muitos uma ingenuidade. Não pensavam assim nem Breton nem Éluard, para quem a experiência amorosa é a experiência revolucionária por excelência. A poesia proporciona a possibilidade de «iluminar» a realidade.
- Eduardo Bustos
no prólogo de uma recolha de poemas de Éluard, Capital del Dolor, Visor
quinta-feira, março 01, 2012
Separador:
extras
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário