sexta-feira, março 02, 2012

O jogo de construção

A Raymond Roussel

O homem foge, o cavalo cai,
A porta não se pode abrir,
O pássaro cala-se, cava a sua tumba,
O silêncio fá-lo morrer.

Uma borboleta num ramo
Espera pacientemente o inverno,
O seu coração pesa imenso, o ramo inclina-se,
Dobra-se como um verme.

Para quê chorar a flor murcha
e para quê chorar os lilases?
Para quê chorar a rosa de âmbar?

Para quê chorar um pensamento terno?
Para quê buscar a flor escondida
______ Se não há recompensa?

______ – A não ser por isto e isto.

- Paul Éluard

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